{"id":1043,"date":"2011-04-09T23:51:59","date_gmt":"2011-04-09T23:51:59","guid":{"rendered":"http:\/\/appes.com.br\/v2\/index.php\/2011\/04\/09\/escola-de-seguranca-maxima\/"},"modified":"2011-04-09T23:51:59","modified_gmt":"2011-04-09T23:51:59","slug":"escola-de-seguranca-maxima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/escola-de-seguranca-maxima\/","title":{"rendered":"Escola de seguran\u00e7a m\u00e1xima?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"> \t<span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span><img alt=\"Tasso Marcelo\/AE\" src=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/fotos\/realengo_tassomarcelo_ae292.jpg\" style=\"float: left\" \/>CHRISTIAN CARVALHO CRUZ<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tFonte: Estad&atilde;o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tPara educador, a trag&eacute;dia de Realengo pode refor&ccedil;ar estilo bunker que j&aacute; entrincheira a sociedadeUm velho apresentador de TV costumava dizer que n&atilde;o tinha vindo para explicar, e sim para confundir. Na quinta-feira, ainda na quentura dos acontecimentos em Realengo, o professor Julio Groppa Aquino, da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da USP, ecoava metade daquele bord&atilde;o. Ele n&atilde;o queria explicar o atirador que matou pelo menos 12 crian&ccedil;as em uma escola no sub&uacute;rbio do Rio e depois se suicidou. Desconfiava que explica&ccedil;&otilde;es viriam &agrave;s pencas, inevit&aacute;veis, nauseantes. E nenhuma delas nos convenceria. Na sexta pela manh&atilde;, ao responder &agrave;s perguntas do Ali&aacute;s, ele mantinha a vontade de n&atilde;o explicar e, dando passagem &agrave; outra metade do bord&atilde;o, adicionava ao tema grossas pitadas de confus&atilde;o (e provoca&ccedil;&atilde;o), para da&iacute; extrair reflex&otilde;es e nos fazer pensar al&eacute;m.<\/p>\n<div class=\"bb-md-noticia-extras\">\n<div class=\"bb-md-noticia-foto\">\n<div style=\"text-align: justify\"> \t\t\t <!--more-->  \t\t\tPsic&oacute;logo de forma&ccedil;&atilde;o, pesquisador da viol&ecirc;ncia e da indisciplina no ambiente escolar e um dos cr&iacute;ticos mais contundentes dos rumos educacionais do Pa&iacute;s, Aquino se debru&ccedil;ou sobre o que vem agora, depois da trag&eacute;dia e do luto. Ele acha, por exemplo, que o estilo bunkerista das escolas, reproduzido das casas, dos condom&iacute;nios e centros comerciais, ser&aacute; desgra&ccedil;adamente refor&ccedil;ado. &quot;Estaremos ensinando &agrave;s crian&ccedil;as e jovens que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel conviver com seus concidad&atilde;os se houver um policial ao lado&quot;, lamenta. Na entrevista a seguir, Aquino tamb&eacute;m fala da sociedade que se nutre de viol&ecirc;ncia e do papel dos professores na identifica&ccedil;&atilde;o de tend&ecirc;ncias violentas nos alunos: &quot;Sala de aula n&atilde;o &eacute; consult&oacute;rio m&eacute;dico, e o alunado n&atilde;o &eacute; um corpo doente&quot;.<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>O que deixa voc&ecirc; mais indignado a respeito do que aconteceu em Realengo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tA t&ocirc;nica &eacute; mais de consterna&ccedil;&atilde;o do que de indigna&ccedil;&atilde;o. E consterna&ccedil;&atilde;o pelo fato de que, quando a pot&ecirc;ncia da vida &eacute; banalizada a ponto de ser tratada a sangue-frio, algo de terr&iacute;vel parece estar se gestando entre aqueles que vivem nas grandes cidades: o medo indel&eacute;vel do outro. Epis&oacute;dios como o de Realengo parecem ser uma mostra da tens&atilde;o imanente &agrave;s trocas sociais na atualidade e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, uma prova de fogo para a pr&oacute;pria democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>Como assim?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tA escola est&aacute; para a democracia do mesmo modo que a delegacia de pol&iacute;cia estava para a ditadura. Ou seja, delegamos &agrave; escola o trato de todos aqueles problemas sociais intrincados, os quais exigem respostas imediatas e que, antes, eram facilmente equacionados &agrave; for&ccedil;a. Da&iacute; que hoje, quando escola e viol&ecirc;ncia social se juntam no imagin&aacute;rio das pessoas, &eacute; a pr&oacute;pria imagem da democracia que est&aacute; em jogo, j&aacute; que boa parte do que costumamos entender como conv&iacute;vio democr&aacute;tico repousa na esperan&ccedil;a de que ensinemos as crian&ccedil;as e os jovens a serem cordatos, pac&iacute;ficos e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, seres obedientes e resignados, n&atilde;o importa com o qu&ecirc;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>Em nosso primeiro contato telef&ocirc;nico voc&ecirc; disse que estava menos preocupado com o que aconteceu e mais com o que vai acontecer. O que vai acontecer? E, sobretudo, o que n&atilde;o ser&aacute; dito?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tOs acontecimentos ser&atilde;o intensamente processados no imagin&aacute;rio social do Pa&iacute;s. E muitos se valer&atilde;o da ocasi&atilde;o para exigir mudan&ccedil;as, desde aquelas relacionadas ao desarmamento da popula&ccedil;&atilde;o at&eacute; aquelas relativas a um refor&ccedil;o de medidas de seguran&ccedil;a, incluindo maior policiamento das escolas. S&atilde;o dois exemplos contradit&oacute;rios, j&aacute; que se trata de um clamor social ambivalente: diminuem-se os riscos de um lado, aumentam-se de outro. Se quisermos alguma esp&eacute;cie de tr&eacute;gua na viol&ecirc;ncia, ela dever&aacute; contemplar, sobretudo, uma modera&ccedil;&atilde;o radical da a&ccedil;&atilde;o policial, ela pr&oacute;pria respons&aacute;vel pela morte de um grande contingente de jovens, este que &eacute; o segmento social mais penalizado pela viol&ecirc;ncia no Pa&iacute;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>Duas rea&ccedil;&otilde;es ao epis&oacute;dio que eu gostaria que voc&ecirc; comentasse: Jos&eacute; Sarney sugeriu &lsquo;seguran&ccedil;a p&uacute;blica&rsquo; no curr&iacute;culo escolar e Cristovam Buarque falou de resgatar um projeto de lei de autoria dele que cria a Ag&ecirc;ncia Federal para a Coordena&ccedil;&atilde;o de Seguran&ccedil;a Escolar, para &lsquo;garantir a seguran&ccedil;a em torno das escolas e a paz na sala de aula&rsquo;.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tA manifesta&ccedil;&atilde;o do Cristovam Buarque &eacute; um exemplo do que eu apontava antes: a fantasia de que um refor&ccedil;o do policiamento &eacute; a &uacute;nica sa&iacute;da para a manuten&ccedil;&atilde;o da dita &quot;paz nas escolas&quot;, o que me parece um argumento arriscado. Estaremos ensinando &agrave;s crian&ccedil;as e jovens que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel conviver com seus concidad&atilde;os se houver um policial ao lado, o que, ali&aacute;s, j&aacute; se passa com os estratos urbanos de classe m&eacute;dia alta, todos eles entrincheirados em seus bunkers e rodeados por seguran&ccedil;as. Quanto &agrave; proposta do velho ex-presidente, ela &eacute; bem conhecida de todos e igualmente arriscada: quando desponta um problema social insol&uacute;vel, que o insiramos no curr&iacute;culo. Desse modo, acabamos tendo uma escola que pretende ensinar tudo no que se refere ao exerc&iacute;cio da cidadania e que muito pouco ensina sobre l&iacute;ngua, ci&ecirc;ncias e artes. Uma sa&iacute;da t&atilde;o f&aacute;cil quanto problem&aacute;tica, a meu ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>Voc&ecirc; falou em bunker. As escolas se parecem cada vez mais com eles, n&atilde;o &eacute;? Grades, port&otilde;es, cadeados, vigias, c&acirc;meras&#8230; Depois do que aconteceu no Rio, como evitar que esse estilo bunker se acentue nos col&eacute;gios? Ser&aacute; o fim do ideal de integrar as fam&iacute;lias na vida escolar dos filhos, tornar os pais mais participativos, etc.?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tO estilo bunker apenas ser&aacute; refor&ccedil;ado, j&aacute; que se trata de uma realidade muito bem instalada entre n&oacute;s. Por exemplo, o bunkerismo escolar da classe m&eacute;dia (e tamb&eacute;m das resid&ecirc;ncias, dos centros comerciais, das institui&ccedil;&otilde;es privadas como um todo) &eacute; contempor&acirc;neo &agrave; instala&ccedil;&atilde;o generalizada das pel&iacute;culas nos vidros dos autom&oacute;veis. Trata-se de uma mostra de como a ideia de seguran&ccedil;a j&aacute; est&aacute; completamente enraizada no imagin&aacute;rio social como um servi&ccedil;o indispens&aacute;vel &#8211; vital, para ser mais preciso &#8211; a uma parcela crescente da popula&ccedil;&atilde;o. O problema &eacute; que quanto mais nos isolamos do contato com as outras parcelas da popula&ccedil;&atilde;o (mais numerosas, por sinal) maiores s&atilde;o os riscos de confronto nesse encontro, a rigor, inevit&aacute;vel. Ora, as escolas p&uacute;blicas s&atilde;o exatamente esse ponto de contato entre diferentes parcelas da popula&ccedil;&atilde;o. E isso nada tem a ver com a maior participa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias na vida escolar, no sentido de pacificar esse encontro. Fam&iacute;lia e escola, a meu ver e diferentemente dos clich&ecirc;s habituais empregados na discuss&atilde;o, s&atilde;o inst&acirc;ncias sociais paralelas e incidentais, e assim devem permanecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>Abrir fogo contra inocentes dentro de uma escola tem algum significado especial? Por que na escola e n&atilde;o no supermercado, na academia de gin&aacute;stica, na feira, no metr&ocirc;?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tSe for correta a hip&oacute;tese da espetaculariza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e tamb&eacute;m a da escola como figura institucional emblem&aacute;tica da contemporaneidade democr&aacute;tica, entende-se que as unidades escolares passem a ser alvos privilegiados de ataque, quando o que est&aacute; em quest&atilde;o &eacute; o rompimento do pacto social. O curioso &eacute; que isso costuma acontecer nos ditos pa&iacute;ses desenvolvidos, e n&atilde;o em pa&iacute;ses perif&eacute;ricos. J&aacute; aconteceu na Finl&acirc;ndia, no Canad&aacute;, na China e, sobretudo, nos Estados Unidos. Seria um ind&iacute;cio do ingresso do Brasil na rota do dito desenvolvimento socioecon&ocirc;mico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>Na quinta-feira, n&oacute;s procuramos a escritora americana Lionel Shriver, autora do romance Precisamos Falar sobre o Kevin, que conta a hist&oacute;ria de um casal que v&ecirc; o filho se tornar um desses atiradores de escola. Ela n&atilde;o quis dar qualquer tipo de declara&ccedil;&atilde;o, argumentando o seguinte: &lsquo;Eu n&atilde;o falo mais desse assunto porque percebi que, quanto mais falo, mais as pessoas se inspiram a cometer a mesma barbaridade&rsquo;. At&eacute; que ponto h&aacute; imita&ccedil;&atilde;o em casos assim?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tS&atilde;o duas as possibilidades, antag&ocirc;nicas inclusive, de entendimento da quest&atilde;o. A primeira: n&atilde;o, ningu&eacute;m tem o cond&atilde;o de ensinar ningu&eacute;m a ser violento nem a ser o contr&aacute;rio. As pessoas s&atilde;o violentas ou pac&iacute;ficas, e as duas coisas ao mesmo tempo, a depender de uma mir&iacute;ade de condi&ccedil;&otilde;es; e talvez nenhuma delas passe pela &quot;inculca&ccedil;&atilde;o&quot; pedag&oacute;gica de valores ou de contravalores. Portanto, tranquilizemo-nos. De outro lado, ensinamos intensamente as crian&ccedil;as e os jovens a se tornarem consumidores vorazes de determinados bens e servi&ccedil;os. Ora, a espetaculariza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia &eacute;, por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, um entre tantos bens culturais &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para consumo. O mundo contempor&acirc;neo nutre-se de viol&ecirc;ncia; ela &eacute; uma moeda corrente no cinema, por exemplo, ou na internet. Da&iacute; que a quest&atilde;o do determinismo pedag&oacute;gico sobre os atos de viol&ecirc;ncia &eacute;, a meu ver, insol&uacute;vel, ou seja, n&atilde;o se pode precisar ao certo se estamos ensinando nossas crian&ccedil;as e jovens a serem violentos, ou n&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>Um ex-colega do atirador de Realengo o definiu como &lsquo;o bobo da classe&rsquo; nos tempos de escola. Diz-se que ele tamb&eacute;m sofria goza&ccedil;&otilde;es por ser manco. O chamado bullying &eacute; de fato um desencadeador de viol&ecirc;ncia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tN&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para imaginarmos uma escola em que n&atilde;o haja tens&otilde;es, na forma de rivalidade e, no limite, humilha&ccedil;&atilde;o entre os alunos. Todos sofremos esse tipo de coisa e sobrevivemos. Isso n&atilde;o &eacute; desej&aacute;vel, mas acaba fazendo parte das rela&ccedil;&otilde;es entre as crian&ccedil;as e jovens e, em grande medida, deles com os mais velhos. E em m&atilde;o dupla, frise-se. No entanto, a epidemia do dito bullying parece ter se tornado a alega&ccedil;&atilde;o principal da imensa maioria daqueles que, por um ou outro motivo, sentem-se em desvantagem civil, o que poderia, a rigor, incluir todos n&oacute;s. Penso ser temer&aacute;rio e, de algum modo, demasiado f&aacute;cil supor que o tal bullying seja desencadeador de atos violentos. Ao contr&aacute;rio, a explos&atilde;o dos casos em que se alega haver bullying &eacute; uma mostra incontest&aacute;vel da cultura de vitimiza&ccedil;&atilde;o psicologizante que vem se instalando entre n&oacute;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>Cabe aos professores identificar tend&ecirc;ncias violentas nos alunos? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tImaginar que professores deveriam fazer diagn&oacute;stico psicol&oacute;gico\/psiqui&aacute;trico &eacute; uma aberra&ccedil;&atilde;o. Sala de aula n&atilde;o &eacute; consult&oacute;rio m&eacute;dico, e o alunado n&atilde;o &eacute; um corpo doente, portador de anomalias. No entanto, os professores demandam diagn&oacute;sticos desse tipo com regularidade, o que n&atilde;o impede que tenhamos a educa&ccedil;&atilde;o miser&aacute;vel que temos. Ou seja, a resposta propriamente pedag&oacute;gica para isso &eacute; nula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>Que rela&ccedil;&atilde;o as crian&ccedil;as sobreviventes ter&atilde;o com a institui&ccedil;&atilde;o escola depois de sofrer um trauma desse tamanho l&aacute; dentro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tProspec&ccedil;&otilde;es dessa natureza me parecem sempre in&oacute;cuas e, por isso, fadadas ao fracasso. Mais ainda, no fito de antever efeitos, elas podem caus&aacute;-los ou intensific&aacute;-los. H&aacute;, por exemplo, um sensacionalismo injustific&aacute;vel da m&iacute;dia na cobertura do evento ao entrevistar os jovens envolvidos de uma maneira que beira a irresponsabilidade, convertendo todos, eles e n&oacute;s, em ref&eacute;ns da espetaculariza&ccedil;&atilde;o. O momento exige sobriedade e certo distanciamento, &agrave; moda dos antigos, de modo que seja poss&iacute;vel decantar as informa&ccedil;&otilde;es, e n&atilde;o ser assediado por elas. Se quisermos honrar os mortos de fato, precisaremos mais do que alguns minutos de sil&ecirc;ncio. Precisaremos nos aquietar. Outra quest&atilde;o: nem sempre as pessoas que sobrevivem a determinado acontecimento-limite desenvolvem esse ou aquele tipo de trauma e quetais. N&atilde;o esque&ccedil;amos que as crian&ccedil;as s&atilde;o resistentes. Essas, em particular, tiveram de se defrontar com a crueza m&aacute;xima da vida ainda quando jovens, mas sobreviver&atilde;o. J&aacute; s&atilde;o fortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>O que voc&ecirc; acha do fato de alguns pais com filhos naquela escola dizerem que n&atilde;o querem mais os filhos em col&eacute;gio p&uacute;blico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tUm dos efeitos mais perversos que posso intuir do acontecimento em Realengo &eacute; o fato de que, ao fim e ao cabo, &eacute; a pr&oacute;pria escola p&uacute;blica que ser&aacute; penalizada. Como n&atilde;o teremos como julgar e condenar o respons&aacute;vel direto, temo que restar&aacute; apenas a sensa&ccedil;&atilde;o de que caberia &agrave; escola ter prevenido essa trag&eacute;dia. O resultado ser&aacute; certeiro: mais uma vez a escola p&uacute;blica nacional ser&aacute; objeto de deprecia&ccedil;&atilde;o e de estigmatiza&ccedil;&atilde;o. E, se assim o for, uma nova injusti&ccedil;a ser&aacute; cometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>H&aacute; explica&ccedil;&atilde;o para o que aconteceu?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \tA meu ver, o melhor analista da quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia da\/na escola n&atilde;o &eacute; um te&oacute;rico, mas o cineasta Gus Van Sant, respons&aacute;vel pela obra mais impactante j&aacute; realizada sobre o assunto: Elephant. Trata-se de uma retomada ficcional do massacre de Columbine, a partir do ponto de vista dos alunos envolvidos. Uma obra sem precedentes, indubitavelmente. O t&iacute;tulo do filme refere-se a uma par&aacute;bola budista segundo a qual um grupo de cegos tenta descrever um elefante a partir das diferentes partes de seu corpo. Da&iacute; que ningu&eacute;m logra ter uma vis&atilde;o do animal em sua totalidade, restando a cada um uma apreens&atilde;o parcial, embora se imagine generalizante. Com isso, quero dizer que, a despeito de toda a tagarelice explicativa que vir&aacute; &agrave; tona, as raz&otilde;es do que se passou em Realengo permanecer&atilde;o inc&oacute;gnitas. Aos que creem no sobrenatural, cabe rezar pelos que se foram. Aos demais, resta-nos apenas um n&oacute; na garganta, um n&oacute; que n&atilde;o desata.<span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;CHRISTIAN CARVALHO CRUZ Fonte: Estad&atilde;o Para educador, a trag&eacute;dia de Realengo pode refor&ccedil;ar estilo bunker que j&aacute; entrincheira a sociedadeUm velho apresentador de TV costumava dizer que n&atilde;o tinha vindo para explicar, e sim para confundir. 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