{"id":864,"date":"2011-02-08T14:41:43","date_gmt":"2011-02-08T14:41:43","guid":{"rendered":"http:\/\/appes.com.br\/v2\/index.php\/2011\/02\/08\/a-policia-do-futuro\/"},"modified":"2011-02-08T14:41:43","modified_gmt":"2011-02-08T14:41:43","slug":"a-policia-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/a-policia-do-futuro\/","title":{"rendered":"&#8220;A POL\u00cdCIA DO FUTURO&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2> \t<span style=\"font-size: 14px\"><a href=\"javascript:ImageManager.populateFields('policia do futuro.jpg')\"><img loading=\"lazy\" class=\" alignleft size-full wp-image-863\" alt=\"policia do futuro.jpg - 10.04 Kb\" src=\"http:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/policia%20do%20futuro.jpg\" style=\"width: 264px; float: left; height: 214px\" width=\"259\" height=\"194\" \/><\/a>&quot;A for&ccedil;a policial &eacute; a &uacute;nica das institui&ccedil;&otilde;es nacionais que n&atilde;o foi reformada ap&oacute;s o fim da ditadura.&quot;<\/span><\/h2>\n<h3> \t<span style=\"font-size: 12px\">por Luiz Eduardo Soares<\/span><\/h3>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<div id=\"texto\" sizcache=\"1\" sizset=\"4\">\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\tA sociedade brasileira cumpriu uma trajet&oacute;ria hist&oacute;rica, que custou o sacrif&iacute;cio de muitas vidas: transitou da <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=ditadura\" target=\"_self\">ditadura<\/a> para a <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=democracia\" target=\"_self\">democracia<\/a>, adaptando, atrav&eacute;s da promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, em 1988, as institui&ccedil;&otilde;es nacionais ao novo contexto, marcado pelo respeito &agrave;s liberdades individuais e aos direitos civis. Esse enorme esfor&ccedil;o coletivo envolveu o investimento na redefini&ccedil;&atilde;o das metas, dos m&eacute;todos e dos valores de nossas principais organiza&ccedil;&otilde;es. Por mais paradoxal que seja, uma institui&ccedil;&atilde;o foi esquecida nas trevas do passado autorit&aacute;rio: a pol&iacute;cia. Conservadores, liberais e progressistas debateram o destino de cada &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico e disputaram a lideran&ccedil;a de cada processo de reforma. Entretanto, n&atilde;o apresentaram &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica projetos que adequassem a pol&iacute;cia &agrave; <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=democracia\" target=\"_self\">democracia<\/a>. Afinal, o que seria a pol&iacute;cia do estado de direito democr&aacute;tico?<\/p>\n<p> \t <!--more-->  \t<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\tEssa omiss&atilde;o hist&oacute;rica condenou a pol&iacute;cia &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o inercial de seus h&aacute;bitos at&aacute;vicos: a <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=viol%EAncia\" target=\"_self\">viol&ecirc;ncia<\/a> arbitr&aacute;ria contra pobres e negros, a tortura, a chantagem, a extors&atilde;o, a humilha&ccedil;&atilde;o cotidiana e a inefici&ecirc;ncia no combate ao crime, sobretudo quando os criminosos vestem colarinho branco. Claro que h&aacute; e sempre houve milhares de policiais honestos, corretos, dignos, que tratam todos os cidad&atilde;os com respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\tMas as institui&ccedil;&otilde;es policiais, com raras exce&ccedil;&otilde;es regionais, continuam a funcionar como se estiv&eacute;ssemos em uma <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=ditadura\" target=\"_self\">ditadura<\/a> ou viv&ecirc;ssemos sob um regime de apartheid social. A finalidade era construir uma esp&eacute;cie de cintur&atilde;o sanit&aacute;rio em torno das &aacute;reas pobres das regi&otilde;es metropolitanas, em benef&iacute;cio da seguran&ccedil;a das elites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\tNesse sentido, poder-se-ia afirmar que o esquecimento da pol&iacute;cia, no momento da repactua&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, em certa medida, acabou sendo funcional para a perpetua&ccedil;&atilde;o do modelo de domina&ccedil;&atilde;o social defendido pelos setores mais conservadores. Ou seja, essa neglig&ecirc;ncia talvez tenha sido mais um golpe de esperteza do que uma indiferen&ccedil;a pol&iacute;tica. Mas o fato &eacute;&nbsp;que a pol&iacute;cia permanece prisioneira dos anos de chumbo e organizada para defender o Estado e n&atilde;o os cidad&atilde;os, o que ocorreria se as leis fossem respeitadas pelas institui&ccedil;&otilde;es que as aplicam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\tA conseq&uuml;&ecirc;ncia da aus&ecirc;ncia de projetos de reforma &eacute;&nbsp;tudo isso que conhecemos: degrada&ccedil;&atilde;o institucional da pol&iacute;cia e corros&atilde;o de sua credibilidade, inefici&ecirc;ncia investigativa e preventiva, liga&ccedil;&otilde;es perigosas com o crime organizado e desrespeito sistem&aacute;tico aos direitos humanos. Ou seja, a pol&iacute;cia, abandonada pelo processo da transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, retorna do passado sombrio como um espectro a nos assombrar. A din&acirc;mica &eacute;&nbsp;parecida com o mecanismo individual da neurose: aquilo que reprimimos e procuramos esquecer porque n&atilde;o conseguimos elaborar e integrar &agrave; vida interior e &agrave;s nossas emo&ccedil;&otilde;es retorna com a for&ccedil;a da energia recalcada e perturba nosso equil&iacute;brio, subvertendo nossa felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\t&Eacute;&nbsp;preciso salvar a pol&iacute;cia do passado, torn&aacute;-la contempor&acirc;nea do presente democr&aacute;tico e reinvent&aacute;-la para o novo contexto <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=pol%EDtico\" target=\"_self\">pol&iacute;tico<\/a>. &Eacute;&nbsp;necess&aacute;rio tir&aacute;-la do arm&aacute;rio em que guardamos os fantasmas hist&oacute;ricos. Libertar a pol&iacute;cia do passado implica inverter sua identidade e seus fins institucionais: ela existe para garantir as liberdades e os direitos, consagrados nas leis, inscritas na Constitui&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Ela s&oacute; pode fazer cumprir as leis se as cumprir. Para que essa virada profunda aconte&ccedil;a, a PM ter&aacute; de cortar seu cord&atilde;o umbilical com o Ex&eacute;rcito, adaptar seu regimento disciplinar medieval ao nosso s&eacute;culo e atribuir prioridade ao trabalho comunit&aacute;rio e &agrave; preven&ccedil;&atilde;o, via diagn&oacute;stico dos problemas e planejamento estrat&eacute;gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\tA Pol&iacute;cia Civil ter&aacute; de ser inteligente, amparada por uma per&iacute;cia aut&ocirc;noma e tecnologicamente sofisticada. A confian&ccedil;a da sociedade ter&aacute; de ser reconquistada e o controle da corrup&ccedil;&atilde;o ser&aacute; o grande alvo do governo. Os sal&aacute;rios dos policiais ter&atilde;o de respeitar a import&acirc;ncia de sua atividade, viabilizando o cumprimento da lei que pro&iacute;be o trabalho na seguran&ccedil;a privada. Finalmente, a pr&oacute;pria divis&atilde;o entre as institui&ccedil;&otilde;es policiais dever&aacute; ser suprimida. Poder&aacute; haver uma, duas ou muitas pol&iacute;cias (o que ser&aacute; poss&iacute;vel com a desconstitucionaliza&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria). O problema n&atilde;o est&aacute; no n&uacute;mero. Os Estados Unidos t&ecirc;m 19 000 departamentos de pol&iacute;cia. O problema est&aacute; no fracionamento do ciclo do trabalho <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=policial\" target=\"_self\">policial<\/a>. &Eacute;&nbsp;necess&aacute;rio que todas as pol&iacute;cias cumpram o ciclo completo, que envolve as tarefas ostensivo-preventivas e investigativas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\t<a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=LUIZ%20EDUARDO\" target=\"_self\">LUIZ EDUARDO<\/a> <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=SOARES\" target=\"_self\">SOARES<\/a> &eacute;&nbsp;antrop&oacute;logo e <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=cientista\" target=\"_self\">cientista<\/a> <a class=\"busca_supermundo\" href=\"http:\/\/supermundo.abril.com.br\/busca\/?qu=pol%EDtico\" target=\"_self\">pol&iacute;tico<\/a>, ex-coordenador de Seguran&ccedil;a, Justi&ccedil;a e Cidadania do governo do Estado do Rio de Janeiro, respons&aacute;vel pelo programa de seguran&ccedil;a p&uacute;blica da Prefeitura de Porto Alegre e membro da coordena&ccedil;&atilde;o que elaborou o Plano Nacional de Seguran&ccedil;a do Instituto Cidadania<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t\tFonte: superinteressante<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;A for&ccedil;a policial &eacute; a &uacute;nica das institui&ccedil;&otilde;es nacionais que n&atilde;o foi reformada ap&oacute;s o fim da ditadura.&quot; por Luiz Eduardo Soares &nbsp; A sociedade brasileira cumpriu uma trajet&oacute;ria hist&oacute;rica, que custou o sacrif&iacute;cio de muitas vidas: transitou da ditadura para a democracia, adaptando, atrav&eacute;s da promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, em 1988, as institui&ccedil;&otilde;es nacionais &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[22],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864"}],"collection":[{"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=864"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/appes.com.br\/v2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}